Às vezes preciso sair de mim mesmo para ser vários personagens (risos)


 

Parei de assistir Grey’s Anatomy e comecei a assistir Prision Break. Parei de assistir Prision Break e comecei a assistir Grey’s Anatomy. Agora estou assistindo os dois. Um pouco de cada. Uma dose certa por dia. E tô viciadão nos personagens que estou trazendo eles para a vida real. Maior loucura. Esses dias cheguei num barzinho, sentei na cadeira, olhei para um lado; pro outro, e a garçonete veio me atender: “Vai tomar o que, moço?” Eu de cabeça baixa olhando pro cardápio respondi: “Trás um balde de cerveja. Gelada. Ah, Stella Artois, por favor!” Ela anotou o pedido e me indagou toda curiosa: “Você não é aquele carinha que escreve as coisas bonitas no facebook? O Wagner Aramian?” E eu, meio inibido, coloquei os cotovelos na mesa, as mãos no queixo, olhei para ela com uma cara de sério e respondi: “Não não, moça. Sou o Michael Scofield. O misterioso. A Sara Tancredi está chegando aqui e estou com muita sede.” Ela sem entender nada, virou as costas e foi pegar o pedido. Acho que ela deve ter me chamado de louco. Deve tá pesquisando o meu nome até hoje. Outro dia, numa baladinha perto de casa, uma garota que eu conhecia há anos do tempo de escola no qual eu era todo apaixonado e que vivia me dando um pé na bunda veio bater papo comigo: “Oi, piruka! (Meu apelido) Quanto tempo. Que saudades de você. Tá com quem aqui? Tá acompanhado não? Logo você? Que milagre é esse? Quer ficar ali na minha mesa?” “Oi, Ana. Não sou mais o piruka. Piruka morreu. Hoje sou o Derek Christopher Shepherd. O cirurgião plástico. O galã. O modelo da Calvin Klein. Só saio com as dançarinas do Faustão. Sei que tô bonito. Mas o mundo dá voltas. Não vem com esse papinho achando que vai arrumar alguma coisa não. Sua oportunidade já passou. Cansei de tirar o atraso das pessoas. Não achei meu pau no lixo. Tchau. Já estou indo. A Meredith me espera.” Abotoei minha camisa, guardei meu celular no bolso, peguei minha cerveja e sai de perto. Não por maldade. Só para evitar a fadiga. É foda. De vez em quando a gente não quer ser a gente. Às vezes preciso sair de mim mesmo para ser vários personagens, porque tem dia que é um inferno ser eu.  Já que leu até aqui, me siga no Insta

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