Oração, grandiosa e indispensável


A oração na vida do pregador, no estudo do pregador e no púlpito do pregador precisa ser uma força patente que tudo permeia, além de ser o ingrediente que a tudo dá colorido. Nunca deve desempenhar papel coadjuvante, nem ser mera casca. É concedido ao pregador passar com seu Senhor “a noite orando a Deus” (Lucas6.12). O pregador, para treina-se na oração que o levar a si mesmo, tem a incumbência de olhar para seu mestre que, de “madrugada, quando o ainda estava escuro [...] levantou-se, saiu de casa e foi para um lugar deserto, onde ficou orando” (Marcos 1.35). O estudo do pregado deve ser como um aposento recluso, um Betel, um altar, uma visão e uma escadaria, para que cada pensamento suba aos céus antes descer aos homens; para que cada porção do sermão possa ser aromatizada pelo ar dos céus e receba substância, porque Deus estava no estudo.
Assim como o motor nunca se move antes do fogo ser aceso, da mesma forma a pregação, com todo seu maquinário, perfeição e lustro, até que a oração tenha acendido e criado o vapor. A textura, a fineza e a força do sermão são como resíduos, a menos que o impulso poderoso da oração esteja nele, por meio dele e detrás dele. Pela oração, o pregador deve incluir Deus no sermão. Pela oração, o pregador deve antes mover a Deus em direção ao povo para, depois, por meio de suas  palavras, mover o povo em direção a Deus. O pregador precisa ter uma audiência com o Senhor e pronto acesso a Deus antes de obter acesso ás pessoas. Para o pregador, um caminho livre para as pessoas.
É necessário reiterar que a oração, como mero hábito, como atividade cumprida por rotina ou profissão, é algo morto e fétido. Tal oração não possui vínculo nenhum com a oração que advogamos. Estamos  enfatizando a oração verdadeira, que encaixa e inflama todos os altos elementos do ser interior do pregador – a oração que nasce da unidade vital com Cristo e da plenitude do Espírito Santo, que brota das fontes profundas e profusas da terna compaixão e da preocupação imorredoura com o bem eterno do homem; um zelo consumidor pela glória de Deus; uma convicção plena da obra do pregador, difícil e arriscada, e da necessidade imperiosa do mais poderoso auxílio de Deus. Orar com fundamento nessas convicções solenes e profundas é a única maneira verdadeira de orar. A pregação que semeia as sementes da vida eterna no coração dos homens e edifica os homens para o céu.

É verdade que é possível existir pregação popular, pregação agradável, pregação encantadora, pregação com bastante força intelectual, literária e cerebral, com uma medida e forma de bem, com pouca ou nenhuma oração. Mas a pregação que assegura o propósito de Deus precisa começar na oração, desde o texto até o preâmbulo, ser entregue com energia e atitude de oração, acompanhada e tratada para que germine, e ser mantida com força no coração dos ouvintes pela oração do pregador, muito depois que a ocasião tenha passado.
Wagner Aramian.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s